This insight, which expresses itself by what is called Imagination, is a very high sort of seeing, which does not come by study, but the intellect being where and what it sees; by sharing the path or circuit of things through forms and so making them translucid to others.

Essays, Second Series by Emerson


domingo, novembro 21, 2010

dança do caranguejo

não é o veneno que nos paraliza. é o medo.
não é o medo do desconhecido que nos imobiliza. é do conhecido.
o medo da dor, do sofrimento, das lágrimas, do aperto no peito, do nó na garganta, na boca do estomâgo, no coração, do cansaço que nos consome e que torna os dias longos, pesados... assim, e como se de um campo minado se tratasse, colocamos pinos identificativos nas áreas de risco para não mais voltarmos, para que não as pisemos por engano e, mais uma vez, sejamos apanhados pelo explosão. mais feridas a sarar, uma nova recuperação, outro recomeço. quantas mais aguentamos? quantas mais aguento?

hoje voltaste a andar para trás. para o lado dizes tu. e eu lembro-te que se andares muito, quando quiseres andar para a frente, poderei lá não estar; é que eu, eu terei seguramente andado para a frente.

e é esta a dança do caranguejo.
andas para o lado, sem destino definido, sem objectivo em mente, sem saberes, sem sabermos onde vamos, para onde vamos com tantas hesitações. tens medo do presente e do futuro, e é o passado que te acorrenta, que te faz andar para o lado.
e o problema é a memória do coração. a memória da dor, do abandono, de outras danças... as minas? essas explodem. são as memórias a activá-las, uma atrás da outra, mesmo sem que o querer ou controlar. foram já tantas vezes, demasiadas vezes... tantos avanços e retrocessos, tantas incertezas,  tantas dúvidas...

e nesta dança, sem melodia particular, com potenciais alvos identificados, que explodam as minas todas, e de uma só vez, para que possamos seguir em frente.
ou segues comigo.
ou segues de lado.
mas termina a dança e chega de ser caranguejo!

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