This insight, which expresses itself by what is called Imagination, is a very high sort of seeing, which does not come by study, but the intellect being where and what it sees; by sharing the path or circuit of things through forms and so making them translucid to others.

Essays, Second Series by Emerson


terça-feira, março 08, 2011

Carta à minha amiga - Bliss

"as relações mais duradouras são as que se baseiam em amizade. acredita. e talvez começar por ai, estabeler bases sólidas para essa primeira fase de qualquer relação, pode ser o segredo de uma relação amorosa saudável, apaixonante e preenchedora. sem querer armar-me em "sabichona", acho que, e contraditoriamente, andamos demasiado depressa e demasiado devagar em quase tudo. temos pressa de chegar às etapas finais, ao anel de noivado e dia de casamento; à carreira de sonho e salário ideal; à satisfação pessoal, emocional, profissonal e todas as outras "al" que sejam boas e importantes mas que agora não nos lembramos. e é como se andássemos atrás de um constante estado de orgasmo - e se possível sem muito esforço, ou nenhum. ao mesmo tempo, porém, não queremos compromissos sérios, laços que nos prendam (redundância intencional), responsabilidades e afins.
então como é que chegamos ao "bliss"? à moda antiga! com paciência, com calma e exercitando a capacidade de apreciação de cada pequenina coisa que nos acontece.

filosofias à parte, saboreia cada coisa, cada momento. serem apenas amigos, não é o pior cenário. quem sabe é o melhor. a amizade, vou-me apercebendo, é o estado mais puro do amor. o que nos preenche mais e aquele de que de facto sentimos mais falta quando tudo parece desmoronar à nossa volta.
é que é nessas alturas que as amigas especiais com quem passamos horas infinitas à conversa, com quem a voz sobe de volume na escala da excitação a cada reencontro, e a quem no fim da noite damos um abraço apertado, chamamos um qualquer nome carinhoso inventado no momento, que seguimos para casa com o coração cheio.

perguntavas-me quando foi a última vez que fui estupidamente feliz? sábado, dia 5 de março, das uma e meia da tarde às nove da noite :) obrigada!
um abraço muito carinhoso da tua Gwanné!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Sol



esta manhã sai à rua pronta para mais um dia de céu nublado. mas o sol veio fazer uma surpresa e à boleia veio o céu azul. é verdade que o sol é um lugar comum dos poemas, canções, simples ou não, dos dias idílicos imaginados com as pessoas que queremos bem em sítios que queremos (re)visitar. hoje, o meu lugar comum foi sim o sol. e há gente , neste mundo fora, que me faz tão bem como o sol, num dia de sábado de inverno, numa esplanada bonita, a beber uma meia de leite e a comer torradas.

domingo, fevereiro 20, 2011

The Satorialist (I)

sai à rua tendo por companhia apenas a Moda e a certeza de que o Seu sentido crítico e a noção de estilo não são, certamente, os da maioria. brava, cara mia!

sábado, fevereiro 19, 2011

Closer (2004/I) Movie Trailer




um filme que me marcou com a música e com a dureza da verdade dos comportamentos humanos. quanto mais perto chegamos do amor, quanto mais perto o amor chega de nós, poucos são os que não fogem, não têm medo. closer, closer, closer... until it is in.

marcas d'água (II)

"sometimes you have to learn to love what is good for you. learn to let go of what... causes you pain."
                                                                                                                                             in a movie

marcas d'água

"At least I have the pain. And the pain is the sign that all was real, that he was real..."
                                                                                                                      in a movie

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

cheiros

uma das coisas que mais gosto na casa da minha avó é o cheiro de casa da minha avó.
cheira sempre a comida boa a ser feita, a molhos e temperos, a arroz doce a ser preparado especialmente como se aquele momento tivesse alguma coisa de especial.
cheira ao riso da minha avó, à gargalhada cheia e feliz quando nos tem por perto;
cheira aos abraços, às tolicies e maluquices e todas as outras 'ices' que têm sempre um lugar no nosso encontro.
cheira a um espaço meu.
um espaço de amor, de conforto, de segurança.
cheira a mim. cheira à pertença e ao encontro.
agora que estou longe parece que nada tem cheiro. nada tem o meu cheiro.
quem diria que este odor que trazemos na pele, que carregamos connosco a cada dia, fosse tão difícil de deixar ficar nos sitios que visitamos.

"I remember it like it was yesterday...

... we gave our first kiss.
It was cold but I couldn't feel it.
There were people talking but I couldn't hear it.
The time was passing buy but I wasn't aware of it.
I remember your heart; it was racing. Or was it mine? Or was it ours?
We were in the balcony and you were holding me tight against your body. More than passion or desire, love had driven us there, it was the warmth of your lips pressed against mine... a moment we had so often imagined and finally came true.
My eyes were closed and yet I could clearly see your face, see the smile in our eyes looking at each other, with our eyes closed.
Funny enough, I don't remember the end of the kiss, of the embrace. With me, within me, remained only the certainty that this was only the first of so many memories, of so many kisses, of so many syncronized heart beatings.
Life was just beggining and we were grabbing it with both hands, with open arms.
Being so talkative I guessed you expected me to say something. I didn't. neither did you.
We looked at each other  perfectly aware that that kiss, that very moment, was exactly what had brought us there.
No use playing games with our heart.
It knows what it wants.
Mine wanted yours and I secretly hoped yours wanted mine.

Later that day I was lying in bed, but the excitment I felt wouldn't let me fall asleep.
I was smiling in the dark, oblivious at that time that so many nights would be spent, eyes wide open, with warm, long and, what seem to me at the time, endless tears in its place."
                                                                                                                1ª sessão, 4º exercício

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Creating Words


hoje foi o primeiro dia do meu curso de Escrita Criativa.
já estava na hora de fazer alguma coisa por mim;
de pôr para fora aquilo que parece ser um pouco mais de talento, de jeito, de... mim.
voltei para casa contente, cheia de inspiração, de alegria, de vontade de escrever.
pode ser que dê fruto.
pode ser que alguma coisa dê fruto.
luz nas palavras, em mim, no futuro.

sábado, fevereiro 12, 2011

o blog da minha amiga

hoje fui ao blog de uma amiga muito querida.
tive vontade de comentar cada post, de dizer-lhe que escreve bem, que a alegria e a melancolia que leio nas suas palavras enchem o meu coração, dizer-lhe que a distância só tem o poder que lhe damos e que no nosso caso, continua perto do meu coração.
e depois tive vontade de chorar.
a distância pesa cada dia mais, cada vez mais e há dias, como o de hoje em que me apetece largar tudo e sair a correr de volta a casa.
mas não faz mal.
tenho o coração cheio da alegria da minha amiga.
hoje fui ao blog da minha amiga tão querida e sorri.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

127 Horas & Ecos

Será que o amor tem o mesmo eco que um grito numa gruta?

 depois de estar preso há várias horas, Aaron ralston (James Franco) grita por ajuda.

"Estou preso! Ajudem-me! Socorro!"


e o "Socorro" repete-se 4 ou 5 vezes mais depois de ele ter gritado.
apesar de o ter dito uma única vez, as paredes que o envolvem na sua prisão de terracota, propogam o seu grito.


ao ouvir este eco fiquei a pensar em outros ecos - o eco do Amor.
que paredes são as que nos envolvem na prisão voluntária das relações, do amor, da entrega? somos nós a entrar nela, a fechar a porta e a tantas vezes mantê-la fechada, deitar a chave fora e esperar, contrariamente ao nosso protagonista, que ninguém nos encontre.


dura mais o eco do amor? prolonga-se, mesmo quando já não existe, quando já não o sentimos, quando já não o tocamos? viverá a pessoa amada, para sempre com uma marca desse amor, e será ele o eco vivo e ambulante de um sentimento tão profundo como uma súplica de ajuda, mas com a beleza oposta?


o Amor deixa marcas no nosso corpo, na nossa pele, no nosso ADN. passa a fazer parte de nós, do que somos, do que sentimos, de como vemos a vida, o mundo, os outros.


carregamos ecos de tudo que vivemos, do que sentimos e do que sentiram por nós.
e mesmo os amores falhados ou os amores que ficam presos no meio de rochas, condenados a morrer ai, sufocados e aprisionados, sem que nada, nem ninguém, oiça o seu grito de súplica por ajuda e libertação, mesmo esse amor, se é Amor, consegue encontrar forma de se libertar e de, mesmo deixando para trás uma parte de si, ser capaz de voltar a viver, livre e plenamente, espalhando ecos para quem queira ouvir.


às vezes são precisas 127 horas presas no fundo de uma fresta nesta Terra perdida, para se encontrar o caminho de volta para a fonte do eco do nosso Amor, do meu, do teu Amor.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Pombas


não gosto de pombas.
a maioria das pessoas não gosta de pombas.
mas esta manhã a caminho do trabalho reparei numa pomba a brincar com outra.
empurrava-a, abria-lhe as asas, mexia-se à volta dela e só quando começou a dar-lhe bicadinhas na cabeça, e lhe começou a tocar com as patinhas é que percebi que a outra pomba estava morta.
a pomba maior tentava acordá-la.
não queria acreditar que a outra, até há umas horas viva, já não vivia mais.
e eu segui para o trabalho a pensar que às vezes é assim. não desistimos. insistimos. insistimos. insistimos.
tentamos trazer à vida algo que já está morto.
e não vale a pena.
não disse nada à pomba.
às vezes precisamos de tentar, de insistir, para perceber que não funciona;

que nunca funcionou.

domingo, janeiro 23, 2011

Club Sandwich e Stevie Wonder


o último dia do ano.
a cidade mais bonita do mundo. a minha cidade.
o rio do outro lado do vidro do meu lugar preferido, na cidade mais bonita do mundo, no último dia do ano.

dentro da mala os papéis. falar um pouco, comer qualquer coisa. assinar. assunto encerrado. esquecer tudo, deixar a dôr, a frustração, o fracasso no ano velho, no ano que acaba.

tu chegaste e sentaste-te à minha frente.
talvez fosse a luz fria de Inverno, ou talvez fossem as lágrimas que me enchiam os olhos e molhavam a pele, que te tornavam bonito. via o brilho dos teus olhos, olhos que eu amei com os meus. abria a boca para falar-te, mas as palavras morriam sofocadas na minha garganta, como bolhas de sabão que rebentam antes de acabarmos de soprar.

olhavas-me com a doçura, a tristeza e a saudade do Adeus; com a serenidade de quem perdeu uma batalha pela qual, na realidade, nunca lutou. e vias-me chorar, incontrolavelmente, sem perceber que as tantas lágrimas eram minhas, e tuas, e nossas; as lágrimas que não choravas, que talvez nunca fosses chorar.

para tentar recuperar algum controlo, mexi na mala, tentei tirar os papéis. pediste-me para não o fazer. não querias vê-los. a negação. uma constante. no fundo, na essência, não mudámos nunca... tu a negar a nova realidade e eu a ter de tratar dela, a ter de mexer na ferida que era, que é, dos dois. não tinha forças para lutar, para confrontar-te. a batalha tinha terminado há muito e estavamos os dois na lista das baixas. uma batalha sem sobreviventes.

ao longe ouvia a voz afinada do Stevie. tantas vezes nos acompanhou, nos embalou, foi as dedicatórias de Amor, foi a nossa história contada na sua voz. e a cada música, as lágrimas mais fortes, a ironia do presente de tão evidente a tornar-se palpável. e nós, imóveis.

tu comias a tua sandwich. eu olhava o rio que brilhava com o sol frio do outro lado do vidro através das minhas lágrimas e ouvia a minha dor cantada numa voz que não era a minha. e eu, repetindo baixinho, para que ninguém pudesse ouvir, que um dia, um dia, tudo ia ficar bem.