Será que o amor tem o mesmo eco que um grito numa gruta?
depois de estar preso há várias horas, Aaron ralston (James Franco) grita por ajuda.
"Estou preso! Ajudem-me! Socorro!"
e o "Socorro" repete-se 4 ou 5 vezes mais depois de ele ter gritado.
apesar de o ter dito uma única vez, as paredes que o envolvem na sua prisão de terracota, propogam o seu grito.
ao ouvir este eco fiquei a pensar em outros ecos - o eco do Amor.
que paredes são as que nos envolvem na prisão voluntária das relações, do amor, da entrega? somos nós a entrar nela, a fechar a porta e a tantas vezes mantê-la fechada, deitar a chave fora e esperar, contrariamente ao nosso protagonista, que ninguém nos encontre.
dura mais o eco do amor? prolonga-se, mesmo quando já não existe, quando já não o sentimos, quando já não o tocamos? viverá a pessoa amada, para sempre com uma marca desse amor, e será ele o eco vivo e ambulante de um sentimento tão profundo como uma súplica de ajuda, mas com a beleza oposta?
o Amor deixa marcas no nosso corpo, na nossa pele, no nosso ADN. passa a fazer parte de nós, do que somos, do que sentimos, de como vemos a vida, o mundo, os outros.
carregamos ecos de tudo que vivemos, do que sentimos e do que sentiram por nós.
e mesmo os amores falhados ou os amores que ficam presos no meio de rochas, condenados a morrer ai, sufocados e aprisionados, sem que nada, nem ninguém, oiça o seu grito de súplica por ajuda e libertação, mesmo esse amor, se é Amor, consegue encontrar forma de se libertar e de, mesmo deixando para trás uma parte de si, ser capaz de voltar a viver, livre e plenamente, espalhando ecos para quem queira ouvir.
às vezes são precisas 127 horas presas no fundo de uma fresta nesta Terra perdida, para se encontrar o caminho de volta para a fonte do eco do nosso Amor, do meu, do teu Amor.

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